terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Poema do dia


HAVEMOS DE VOLTAR

Havemos de voltar
na primeira fragata, feita ao vento,
e atracar no teu cais,
num Tejo de gaivotas e salinas.
Havemos,
olhos de água,
de chorar outra vez,
encostados às tuas palmeiras,
de sorver a água fresca dos teus poços,
cheirar a caruma dos pinhais,
dormir outra vez, no ladrilho fresco
das tuas casas baixas
e inventar noutro tempo
a mulher moura
que nos deu de beber.

Havemos de voltar,
como reis, outra vez em ti,
refugiados da peste,
fugidos de Lisboa.

E havemos,
em cada fluxo da maré
cheirar a maresia
e colher, das caldeiras e sapais,
o camarão e a ostra,
o perfume do peixe fresco
nos nossos pratos de barro ocre.

Havemos de voltar
com projectos de jardins, flores e quintais.
E levantarmos, outra vez, o Pelourinho
e cantaremos,
nas praças abertas,
no meio de laranjeiras e couvais.

Havemos de voltar,
com todos os barcos postos no rio,
com música e danças nas muralhas e nos cais
limpos e enfeitados
para nos saudar.
Havemos,
havemos que sonhar.

José Lourival

in "Duas mãos de poesia". Edição da Cooperativa de Animação Cultural de Alhos Vedros (CACAV). 1990
Ilustração de José Lourival.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Actividades Team Building


Novidades:
Actividades TEAM BUILDING na Escola Aberta Agostinho da Silva (Casa Amarela).
Ainda é surpresa, mas está para breve!
Promete!
Promete ser interessante!





Para breve a apresentação das Actividades do Entreculturas, dias 22, 23 e 24 de Abril 2009 .

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Estórias de Alhos Vedros

Vive e deixa viver(ao Manuel Neto)
Quando o questionavam sobre seu o modo de vida, Manel Neto, respondia imperativamente: "quem vai vai, quem está está". Sentado à porta da taverna, mesmo no centro da Vila, por onde passavam conhecidos e desconhecidos, Manuel Neto trazia consigo um curriculum invejável: contava-se que nas inúmeras incursões ao balcão da tasca, era capaz de beber um garrafão de vinho, acompanhado de uma e apenas uma azeitona. Se é verdade ou não, nem sabemos (nem interessa para o caso)... mas à porta da tasca, lugar sacralizado pela sua presença diária, o taberneiro colocou uma cadeira onde o religioso se sentava e de onde poderia ver o mundo, claro está o seu mundo, mergulhado no licor que lhe dava cor à vida. De lá, perante o mundo suspirava aforismos sábios sobre o que lhe parecia ser a vida. A mais profunda e sábia foi aquela, cuja mensagem afastava todos aqueles que lhe queriam impor uma forma de vida, com a qual não se identificava: "amigo não empata amigo; inimigo muito menos"; mensagem essa, muitas vezes expressa no aforismo: "quem vai vai, quem está está".E para quem parecia nada saber de ética ou de respeito pela vida dos outros, o Manel, analfabeto de formação, dava lições de alta cultura: quem passa deve seguir o seu caminho e deixar estar quem está, na sua vida, como acha que deve estar.Figura bem popular, amigo de toda a gente, pacifista por integridade, o que não quer dizer que estivesse isento de algumas súbitas fúrias, o Manel Neto era saudado por todos e a todos saudava.Há uma estória engraçada que se conta a seu respeito. Uma vez que foi ao (saudoso) Cinema de Alhos Vedros com o seu filho "Lhites", ao ver aparecer o Leão da Rank Filmes que lhe serve de genérico, vira-se para ele e diz: "Vamos embora "Lhites" que o pai já viu este filme." Uma outra das suas imagens de marca era o seu trinado dentário. Enquanto esbaforia os mais enternecidos vapores etílicos, rangia os dentes de tal forma que pareciam afinados pares de castanholas, findo do qual elegantemente rematava: "Aí, Cão da Lama".Com Carisma e com princípios, que faltam a muita boa gente hoje em dia. Saber viver e deixar viver é um princípio ético muito importante. Nele se resume muito do que se diz (ou se pode dizer) sobre a liberdade individual. Liberdade de cada um poder escolher a sua própria vida, sem imposições exteriores, desde que essa Liberdade individual não interfira com a Liberdade dos outros. Assim se resumia o Aforismo Kantiano, de que "a minha liberdade termina quando começa a do outro", da mesma forma que Manel Neto reafirmava o postulado: "Quem vai vai, quem está está"
Luís Mourinha
Luís Santos

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

IV Bienal de Pintura de Pequeno Formato. Prémio Joaquim Afonso Madeira

Vai realizar-se em Alhos Vedros, de 13 a 21 de Junho de 2009 a IV Bienal de Pintura de Pequeno Formato. Prémio Joaquim Afonso Madeira, organizada pela Câmara Municipal da Moita, Junta de Freguesia de Alhos Vedros e Cooperativa de Animação Cultural de Alhos Vedros (CACAV).
Todos os trabalhos deverão ser enviados ou entregues na Junta de Freguesia de Alhos Vedros, na Rua Cândido dos Reis, 2860 Alhos Vedros, no período de 30 de Março a 30 de Abril de 2009.
Será realizada uma Exposição dos trabalhos seleccionados pelo júri no Moinho de Maré de Alhos Vedros, que irá decorrer no período de 13 a 21 de Junho de 2009.
Para a obtenção do Regulamento e Ficha de Inscrição, devem os interessados contactar com as entidades acima referidas.
Para mais esclarecimentos agradecemos o contacto para: 932214015.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Poema do dia


As fotografias

Era quase no inverno aquele dia
Tempo de grandes passeios
Confusamente agora recordados -
A estrada atravessava a serra pelo meio
Em rugosos muros de pedra e musgo a mão deslizava -
Tempo de retratos tirados
De olhos franzidos sob um sol de frente
Retratos que guardam para sempre
O perfume de pinhal das tardes
E o perfume de lenha e mosto das aldeias

in Dual de Sofia de Mello Breyner Andresen
Círculo de Leitores, Moraes Editores, Lisboa 1972

domingo, 18 de janeiro de 2009

Etimologia de Alhos Vedros

«Vedros» deriva da palavra latina «Vetus» que evoluindo através dos séculos, deu origem ao nosso vocábulo «Velho» e «Vedros». Assim, «Velhos» ou «Vedros», o significado é idêntico. Até aqui não há dúvidas!As dificuldades surgem com a palavra «Alhos». Querem os entendidos, que tenham vindo de «Alius», também palavra latina, que significa «outro» (de muitos) em Português. Porquê então «Alius Vetus», nome dao a esta povoação?Os historiadores têm discutido o assunto, sem contudo terem chegado a uma conclusão, por todos aceite. Seja como fôr, Alhos Vedros «sabe» a latim. Foi sem dúvida povoação a que os romanos deram o nome e de certo até fundada por eles, provavelmente no Séc. I a.C.. A sua actividade principal teria sido a exploração do sal, que faziam transportar para Roma ou utilizada na salga do peixe.(…)Em 711 da nossa era, surgem com todo o ímpeto os árabes vindos do norte de África; dois anos depois, tinham conquistado quase toda a Península. Esta Terra tornou-se, assim, uma possessão moura.Após alguns séculos, surge o esforço enorme da Reconquista Cristã. A bravura de Afonso Henriques, conquistador de Palmela, empurra para o Sul os árabes desas regiões, voltando Alhos Vedros novamente à dominação cristã. Começa, assim, uma nova era para a antiga povoação romana, com seus progressos e retrocessos, tão comuns na história dos homens.Que daqui em diante só conheça o progresso…”ALVES, Carlos F. Póvoa - Subsídios para a História de Alhos Vedros. Edição do autor, 1992, p.76.